Você já bateu a cabeça durante um treino, uma queda no trail ou uma disputa de prova e simplesmente seguiu em frente? Essa cena é mais comum do que parece, e pode esconder um risco sério para quem corre.
Uma pesquisa de pós-doutorado da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) quer mudar essa realidade. O estudo busca atletas de qualquer modalidade, incluindo corredores de rua e trail runners, para validar no Brasil um questionário internacional sobre concussões no esporte.
O que é a concussão e por que ela importa para quem corre
A concussão é um tipo de lesão cerebral traumática. Ela acontece quando um impacto na cabeça, ou até no corpo, faz o cérebro se mover bruscamente dentro do crânio. No universo da corrida, isso pode ocorrer em quedas de trail, colisões em provas de rua ou acidentes durante o treino.
O problema é que muitos atletas não reconhecem os sintomas e continuam treinando ou competindo. Essa atitude aumenta o risco de complicações e pode comprometer a saúde a longo prazo.
Como funciona o estudo da UFSCar
A pesquisa é conduzida pelo fisioterapeuta Gustavo Viotto Gonçalves, do Laboratório de Pesquisa em Reumatologia e Reabilitação da Mão (LAPREM) da UFSCar. O trabalho tem orientação da professora Paula Regina Mendes da Silva Serrão e parceria com o professor Matthew Brancaleone, da The Ohio State University, nos Estados Unidos.
O objetivo é traduzir, adaptar e validar para o português brasileiro o Rosenbaum Concussion Knowledge and Attitudes Survey (RoCKAS). Esse questionário já é usado internacionalmente para medir o conhecimento e as atitudes de atletas em relação às concussões.
Segundo Gonçalves, a concussão ainda é subestimada no esporte brasileiro, principalmente por falta de informação. Um instrumento validado permite que times, federações e profissionais de saúde avaliem esse conhecimento de forma objetiva. A partir disso, campanhas de educação podem ser criadas de forma direcionada, e não mais genérica.
A expectativa é clara: mais atletas reconhecendo sintomas a tempo e menos casos de concussão ignorados ou mal manejados.
Quem pode participar
Podem se inscrever atletas de qualquer modalidade esportiva, corredores incluídos, desde que tenham 18 anos ou mais e pratiquem esporte há pelo menos um ano.
A participação acontece em duas etapas simples:
- Preenchimento de um formulário online, com duração de 20 a 30 minutos
- Repetição do mesmo questionário após cinco dias, em uma etapa mais rápida, de 15 a 20 minutos
Essa segunda rodada é essencial. Ela permite avaliar se o questionário traduzido mantém a confiabilidade da versão original.
Dúvidas sobre a pesquisa
Quem tiver dúvidas pode entrar em contato diretamente com a equipe responsável:
- E-mail: gustavoviottogoncalves@ufscar.br
- WhatsApp: (16) 99644-5515
Respaldo científico e institucional
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da UFSCar (CAAE: 91726025.0.0000.5504). A pesquisa recebe financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), sob o processo nº 2025/00498-6, e conta com apoio institucional da Comissão Científica da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe).
Participar é uma forma simples de contribuir para um esporte mais seguro, tanto na sua modalidade quanto no dia a dia de outros atletas pelo Brasil.
















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